quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Agora és velha!


Agora és velha!

O teu corpo, sulcado pelo tempo, é sinónimo de velhice, é sinónimo de abandono e de solidão.

Os que te rodeavam puseram-te de lado. Já não serves para nada . Começas, aos poucos, a sentir e a tomar consciência de que já não te querem, só serves para dar trabalho. És um estorvo. Acham-te chata e velha, já não tens a alegria e a lucidez que te caracterizavam.

Sofres do corpo e da alma e pedes a Deus que te leve. Sonhas e recordas o tempo em que eras tu e não precisavas de ninguém. Olhas o infinito, esperando não sei o quê. Talvez a morte?

Hoje, que os anos passaram, dependes de todos, menos de ti. Enganam-te, mentem-te, e tu, sempre na esperança de voltares a ser quem eras, acreditas.

Somam-se os dias e cada um que passa é pior que o outro. As poucas palavras que dizes são "Eu era tão feliz na minha casa..., é para onde eu quero ir...para a minha casa...".

Os teus familiares, ao verem-te doente, decidiram pôr-te num lar. Não te conformas. Sentes-te abandonada, sentes-te desprezada. Os teus olhos perderam a cor e o brilho de outrora.

Hoje, quando te vi , senti que, aos poucos, estás a desistir de viver e esperas a morte.

Era bom que pudessemos escolher a nossa hora.
Vou lembrar-me de ti, mesmo depois de partires.

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