Tornamo-nos mais velhos à medida que os anos passam, e de braço dado com a idade surge a tendência para nos isolarmos. Enquanto crianças temos todo o tempo do mundo, porque não pensamos nele. A inocência com que se encara a vida faz de nós os melhores e mais bonitos seres à face da Terra.
Crescemos.Começamos a ter consciência do real (ou a idealização do real, porque nada nem ninguém nos afirma o que é a realidade), a ter noção que o tempo nos foge entre os dedos como a areia daquela praia deserta passa pelo crivo das nossas memórias. E aí “o outro” deixa de ser “o” definido para nós, e passa a ser o indefinido e o dispensável. E porquê? Porque é que a cada momento de crescimento sentimos, cada vez mais, a necessidade de nos desprendermos dos outros? Afirmamos, muitas vezes, “Não tive tempo” e desculpámo-nos com isso.
Pergunto-me, com alguma relutância, (e esforço-me por não acreditar) se o homem não estará a atribuir ao tempo a responsabilidade de se estar a tornar um ser anti-social e egoísta.
É triste caminharmos neste sentido. Estamos a tornar-nos numa sociedade materialista e a desprezar o contacto humano, as relações e as sensações.
Há pressa para abraçar alguém, não há momento para se olhar e ver a beleza interior do Homem. É uma autêntica perda de tempo. Mas o tempo perde-se? Não será mais fácil parar e pensarmos?
A vida é melhor quando vivida com alguém ao nosso lado e para esses, para os “importantes”, há sempre tempo, porque o tempo cronológico passa igual para todos, mas o psicológico somos nós que o fazemos passar!
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